domingo, 11 de abril de 2010

domingo, 4 de abril de 2010

Mosaico

Junte todos os pedaços
Preencha as lacunas
Nem que seja de vazio
De tudo o que você não conseguiu

Complete os espaços
Forme imagens
Nem que sejam assustadoras
Do que você só conseguiu não ter

Recolha seus cacos
Forme um mosaico
E admire a arte de perder

sábado, 3 de abril de 2010

Correção

Eu disse antes que eu escrevia músicas porque não achava ninguém que dizia o que eu estava sentindo...

Correção: a Amy Lee diz.

Lembrei porque Evanescence ainda é minha banda preferida

;D

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Esses maus hábitos adquiridos

Acho que a personalidade tem muito a ver com inúmeros fatores, inclusive com as coisas que agente faz, se acostuma, se habitua e incorpora a pessoa que é.

É como se habituar a saber de tudo, a ler as pessoas, a entender o que as pessoas pensam, querem, sentem. Sempre achei que isso fosse algo como que uma dádiva. Um dom.
Uma coisa boa.

Não sei se é.

Eu ando numa fase meio turbulenta, uma fase onde estou cheio de dúvidas, ponderando sobre o que é bom, o que é ruim. O que é fixo de mim, o que é descartável. Complicado isso, é como fazer aquela faxina no armário, onde a gente insiste em querer guardar aquela roupa linda que já nem nos serve mais.
Eu queria abandonar essas coisas, abandonar o que já não serve mais.

Desabafo justo. O blog é o melhor amigo do homem.

O difícil disso tudo é não saber lidar com o inverso. É quase divertido entender as pessoas, medir os movimentos, os gestos, ações. Saber tudo o que vem antes. Mas isso acompanha, logicamente, o pavor patológico do inverso. O medo sombrio de não conseguir habitar a mente de alguém e viver nessa corda bamba que te empurra pra queda mortal, ou machuca os pés caso você se equilibre. Como se não houvesse saída.

Eu não sei se faço as pessoas felizes, isso me machuca. Não sei como agradar. Nem como lidar com tudo isso.

Aí, do nada, as coisas vão evaporando, sumindo pelos meus dedos, e eu não consigo segurá-las.

A sensação de perda mais uma vez. A sensação de perder algo que nem realmente te pertence, mais uma vez.

Então, era assim que era pra ser?
Mais uma vez...

Timidez meio-a-meio

Odeio isso em mim, sabia? Essa coisa de ser assim, meio tímido.

Quando eu era menor (de tamanho e idade), eu era um ser absurdamente tímido, ficava com as boxexas vermelhas se alguém me dissesse oi.
O tempo passou, eu cresci, mudei muito. Já consigo falar em público, lidar com pessoas desconhecidas.
Mas ainda é muito estranho não conseguir ser eu mesmo quando fico do lado de determinadas pessoas. Justamente para as quais eu gostaria de mostrar tudo que eu sou, tudo de bom que eu posso ter.
Pra essas pessoas eu, estupidamente, reservo meu silêncio e minhas frases desconexas. Pra elas meu legado é tudo o que eu não queria oferecer.
Aí eu sou o cara chato, que ninguém quer perder muito tempo.

Eu dou tão oito ou oitenta pra tudo, deveria ser pra isso também.
Maldita personalidade...

causaconseqüência

Acho que é por isso que eu componho tanto. Porque nunca acho alguma música para as coisas que eu estou sentido.

Me contento com as minhas.

É, acho que é isso...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Toca Raul!

Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar
Eu vou tirar
Meu pé da estrada
E vou entrar também
Nessa jogada
E vamos ver agora
Quem é que vai güentar
Porque eu fui o primeiro
E já passou tanto janeiro
Mas se todos gostam
Eu vou voltar
Tô trancado aqui no quarto
De pijama porque tem
Visita estranha na sala
Aí eu pego e passo
A vista no jornal
Um piloto rouba um "mig"
Gelo em Marte, diz a Viking
Mas no entanto
Não há galinha em meu quintal
Compro móveis estofados
Me aposento com saúde
Pela assistência social
Dois problemas se misturam
A verdade do Universo
A prestação que vai vencer
Entro com a garrafa
De bebida enrustida
Porque minha mulher
Não pode ver
Ligo o rádio
E ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo
Que eu quero descer
Olhos os livros
Na minha estante
Que nada dizem
De importante
Servem só prá quem
Não sabe ler
E a empregada
Me bate à porta
Me explicando
Que tá toda torta
E já que não sabe
O que vai dá prá mim comer
Falam em nuvens passageiras
Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada
Prá escolher
Apesar dessa voz chata
E renitente
Eu não tô aqui
Prá me queixar
E nem sou apenas o cantor
Que eu já passei
Por Elvis Presley
Imitei Mr. Bob Dylan, you know...
Eu já cansei de ver
O Sol se pôr
Agora eu sou apenas
Um latino-americano
Que não tem cheiro
Nem sabor
E as perguntas continuam
Sempre as mesmas
Quem eu sou?
Da onde venho?
E aonde vou, dá?
E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como um avião pode voar
Ao meu lado um dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar
Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz
Latino-americano
Que também sabe
Se lamentar
E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo
Que eu quero chegar
-E fim de papo!